…não podem se separar nem se encarar.

“…Em toda a sua extensão, a cidade parece continuar a multiplicar o seu repertório de imagens: no entanto, não tem espessor, consiste somente de um lado de fora e de um avesso, como uma folha de papel, com uma figura aqui e outra ali, que não podem se separar nem se encarar.”

– Cidades Invisíveis, Italo Calvino

Apagando meu histórico no Facebook

Queridos amigos,

Já tem algum tempo que eu tenho me sentido desconfortável com a quantidade de informação pessoal que fica armazenada no Facebook, muito por conta de todo esse papo de privacidade e big data que anda rolando por aí, mas principalmente pelo simples fato de que a maioria (para não dizer TODOS) os meus posts de três, quatro, cinco anos atrás são completamente ridículos e me envergonham bastante. Ridículo ou não, o fato é que eu não curto que alguma companhia fique armazenando as minhas memórias assim.

Dessa forma, nesse último feriado do carnaval, dediquei-me à empreitada de apagar todo o meu registro de atividades (posts, likes, fotos, etc.) anterior à janeiro de 2017. Como era de se esperar, o Facebook não facilita as coisas, e não existe uma forma de deletar conteúdo em massa. Tem que ser um por um, tornando a atividade praticamente impossível.
Instalei então um script no chrome, deixei a máquina rodando, e depois de dois dias e várias passadas, ainda sobrou coisa! Grupos, eventos… sigo apagando.

Para quem está pensando em pq eu simplesmente não apago a minha conta no FB: tenho aqui muitos amigos queridos, alguns fora do BR, com quem quero manter contato! Continuo lendo os posts esporadicamente, mas evitarei daqui por diante colocar mais conteúdo por aqui.

Continuo falando minhas bobagens lá na minha conta do twitter, que creio ser uma plataforma menos invasiva e mais anárquica. Também continuarei publicando no meu site oficial e no meu blog, onde mantenho total controle sobre o conteúdo.

Grato, a gerência.

No estéreo, a profundidade do mundo (sobre a vantagem dos múltiplos pontos de vista)

… Estou, é claro, falando metaforicamente de visão e pontos de vista, mas uma analogia com a visão física se encaixa à perfeição. Sem os dois olhos – visão binocular (estereoscópica) – não há percepção da terceira dimensão do espaço. A menos que haja convergência da visão a partir de mais de um ângulo, o mundo parece tão plano quanto um cartão postal. As recompensas de ter dois olhos são práticas, eles nos impedem de esbarrar nas cadeiras e nos permitem julgar a velocidade dos carros que se aproximam. Mas a recompensa final é a visão aprofundada do próprio mundo -os panoramas que se desdobram diante de nós, os cenários que se estendem aos nossos pés. O mesmo ocorre com “os olhos da alma”, como dizia Platão. “O que sabem da Inglaterra aqueles que só conhecem a Inglaterra?”…

Huston Smith, “As Religiões do Mundo”

 

Ilford preto e branco 1995/96 parte 1

Lá pelos idos de 1995/96 (duas décadas atrás!) sempre que eu viajava (ou mesmo nos rolês locais) eu levava minha valente Olympus Trip carregada com uns rolos de filme Ilford preto e branco. Depois de um tempo a Olympus começou a vazar luz e foi substituida por uma Pentax K-1000.

Eu gostava de fotografar as pessoas que estavam na mesma barca que eu.